terça-feira, 2 de novembro de 2010

Pilates e osteoporose: o real benefício do método

Nos últimos dias andei pesquisando sobre pilates e osteoporose e me deparei com inúmeros textos, poucos de boa qualidade. Na maioria o pilates é colocado como a atividade perfeita para o problema, mas é preciso ter cuidado, pois não é bem assim. Os exercícios de pilates para trazerem benefícios específicos para a osteoporose deve ser muito bem selecionados.

Entendendo a osteoporose
Osteoporose é uma desordem esquelética caracterizada por redução da massa óssea, com alterações da microarquitetura do tecido ósseo, levando a redução da resistência e ao aumento da suscetibilidade a fraturas. (OMS - Organização Mundial da Saúde)
Trocando em miúdos é a perda significativa de massa óssea. Repare a imagem, o osso normal é mais denso, tem uma maior "quantidade de osso".
O processo de perda de massa óssea é normal e está diretamente relacionado ao envelhecimento. É um processo degenerativo como tantos outros pelos quais nosso corpo passará com o decorrer do tempo. A osteoporose é uma doença.

Nossos ossos passam por um constante processo de remodelamento, elementos importantes, como o cálcio, são constantemente retirados de lá e jogados no sangue para serem aproveitados pelo organismo. Durante esse processo os osteoclastos (células responsáveis pela reabsorção), produzem lacunas na superfície do osso e cavidades no interior, posteriormente, os osteoblastos (células responsáveis pela construção), preenchem a área com osso novo, todo esse processo dura cerca de três meses. Até os 30 anos essa relação é igual, o que se perde se ganha, a partir dessa idade perde-se mais do que é reposto e gradualmente há diminuição da massa óssea.

Todo esse processo pode ser acelerado por fatores que interferem na quantidade máxima de massa óssea acumulada durante o período de crescimento, na perda excessiva ou na baixa produção. São eles:
  • Genéticos (raça branca ou asiática, baixa estatura e outros)
  • Estilo de vida (baixa ingesta de cálcio, sedentarismo, tabagismo e outros)
  • Ginecológicos (menopausa precoce, menarca tardia e outros)
É aí que temos a osteoporose. O critério utilizado para determiná-la é a perda de 25% de massa óssea quando comparado à um adulto jovem. Perdas menores são chamadas de osteopenia e devem ser igualmente tratadas.
O tratamento é determinado pelo médico e pode envolver o uso de medicamentos, hormônios, cálcio e vitaminas. O exercício é recomendado como coadjuvante, tem função preventiva e estimulante na formação óssea.

O exercício na estimulação da formação do osso
O exercício precisa cumprir com alguns pré-requisitos para ser favorável na estimulação da formação do osso.
Através de um processo chamado piezoeletricidade, a força de compressão, gera um campo elétrico que atrai os osteoblastos, auxiliando na construção do osso. Além da força compressiva outros três fatores são fundamentais:
  1. Compressão – “apertar” o osso no sentido longitudinal;
  2. Freqüência – velocidade de execução (deve ser alta);
  3. Intensidade – deve ser aumentada progressivamente;
  4. Estímulo local
O exercício com função preventiva
Se o sedentarismo pode ser um dos fatores, relacionados ao estilo de vida, aceleram a perda de massa óssea, a função preventiva primária do exercício é óbvia.
Além disso ele será um aliado importante no fortalecimento muscular e na melhora do equilíbrio, fatores importantes para minimizar a possibilidade de quedas, que poderão levar à fraturas em pessoas com massa óssea reduzida.

Pilates e osteoporose: o real benefício do método
Apesar do pilates fortalecer a musculatura e melhorar o equilíbrio, nem todo exercício pode ser utilizado. Existem vários movimentos que podem ser prejudiciais, inclusive com a possibilidade de causar microfraturas, são desaconselhados flexões, flexões laterais e rotações da coluna.. 
Na seleção dos exercícios, ao optar pelo uso dos aparelhos, principalmente o reformer e a cadeira combo a função preventiva pode se aliar à estimulação da formação do osso.

Vamos considerar então que os exercícios de risco foram excluídos e que os demais cumprem com a função preventiva, como selecionar exercícios que ajudem na estimulação do osso?

  • Nas classes de mat pilates, utilizar sempre exercícios executados em pé. Exercícios na posição deitada não exercem compressão no sentido longitudinal do osso e por isso não influenciam na estimulação da sua formação. De qualquer forma, com o passar do tempo, mesmo os exercícios em pé perdem a eficácia, pela adaptação, é difícil aumentar sua intensidade.
  • Nos equipamentos, exercícios em cadeia cinética fechada, ainda que executados na posição deitada, exercem força de compressão nos ossos, além de ser possível aumentar gradualmente a intensidade. 
  • É preciso ficar atento na utilização das alças/manoplas para não confundir força de tração com força de compressão.
  • Deve-se pensar, sempre, na ação local.
O único pré-requisito que o pilates não atende é a frequência, por isso deve ser sempre combinado com uma outra atividade que possa complementar, por exemplo uma caminhada, no caso de osteoporose no fêmur ou na coluna. Na realidade não existe uma atividade que, sozinha, dê conta de tudo.

No próximo post falarei especificamente sobre a prática, o que ensinar, quais exercícios usar, quais os cuidados tomar como aluno com osteoporose, nas aulas de pilates.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Todos os comentários são lidos e moderados previamente
Serão publicados aqueles que respeitarem as regras abaixo:


- Seu comentário precisa ter relação com post, pode ser uma crítica sugestão ou pergunta.
- Não faça propaganda de outros blogs ou sites

Aviso

+ Populares

Pesquisa personalizada

Hotwords

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails