quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Interdiscipinaridade ou exercício ilegal da profissão?

Minha fonte de inspiração para esse post foi o texto da Profa.Silvia Gomes intitulado: Interdisciplinaridade: realidade do método pilates hoje! No texto a professora conta que faz parte de uma equipe interdisciplinar (que na verdade é multi!) composta por fisioterapeutas, professores de educação física e de dança e que todos atendem a qualquer cliente com a mesma competência, tudo isso para introduzir a notícia de que o CREF (Conselho regional de Educação Física) flagrou um fisioterapeuta ministrando aula de pilates, o que seria proibido por lei.
Imagem: Pilates Silvia Gomes

A partir daí formou-se uma enorme discussão sobre a legitimidade da aplicação do método pilates. Até o momento em que escrevo esse post todos os comentários criticam a ação do CREF e defendem que as aulas poderiam ser ministradas por qualquer um dos dois profissionais, há inclusive uma nota de Esclarecimento do COFFITO sobre a Resolução 201/2010 do CONFEF sobre Pilates.

Cada macaco no seu galho
Vamos entender o discurso dos conselhos.

CONFEF: Logo no seu artigo 1o, a resolução 201/2010 diz:
Art. 1° - Ratificar o Pilates como modalidade e método de ginástica que, como tal, deverá ser orientado e dinamizado por Profissionais de Educação Física.

COFFITO: Respondendo à resolução afirma:
...todo Fisioterapeuta tem o direito de utilizar o método Pilates com a finalidade fisioterapêutica, ou seja, para os fins de tratamento e prevenção de disfunções, conforme autoriza a legislação que trata da matéria. A prática pode ser realizada em qualquer local, como clínicas, academias, hospitais, dentre outros.

A lei não trata da interdisciplinaridade, mas do exercício ilegal da profissão. Quem ministra aula é professor, o fisioterapeuta faz tratamento. No caso específico do método pilates, principalmente para quem atua  pode parecer bobagem, pela semelhança existente nos dois tipos de atuação, mas o que legitimiza a atuação profissional é a formação acadêmica de cada um.

Vejamos em outras profissões médicos e dentistas, engenheiro civil e arquiteto, físicos e matemáticos e por aí vai, em todas essas profissões existem semelhanças, mas também diferenças enormes. Quando cursei minha graduação em Educação Física, e um pouco mais aprofundado na especialização, estudei sobre algumas patologias e sua reabilitação, não com o objetivo de tratar, não com a profundidade que um fisioterapeuta estuda, mas para conhecer e poder orientar adequadamente meus alunos, tanto quando necessitarem de tratamento, como quando receberem alta. Da mesma forma que estudei sobre nutrição e nem por isso saio por aí prescrevendo dieta e suplementação.

Pode ser que, na prática, tenhamos professores de educação física mais capacitados para tratar a coluna de um indivíduo do que um fisioterapeuta, e que tenhamos fisioterapeutas que conseguem resultados melhores do que professores de educação física no condicionamento físico. A questão não é de capacidade, de competência, mas de ética.

É anti-ético se apropriar de uma profissão que não é a sua, pior é crime. Sim, exercício ilegal da profissão é crime. No caso do método pilates é uma visão limitadora, como pensam alguns? Pode ser que sim, mas hoje é isso que temos em termos de lei. A ética serve para para limitar, para colocar ordem no pedaço. Sem ela tudo viraria uma grande bagunça!

4 comentários:

  1. "todo Fisioterapeuta tem o direito de utilizar o método Pilates com a finalidade fisioterapêutica, ou seja, para os fins de tratamento e prevenção de disfunções".
    Oi Denise, prevenir uma lesão, o que é uma função do fisioterapeuta, só pode ser feito através do ensino do movimento. Também fazem partes de muitos tratamentos realizar bem funções de movimento.E é nesse espaço comum que se formam as equipes multidisciplinares. Respeito seu ponto de vista mas acredito que o tempo e a experiência tendem a alargar nossos horizontes. Um abraço, Silvia.

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  2. Oi Silvia!

    Sou totalmente a favor de equipes multidisciplinares, inclusive porque em alguns casos o problema a ser resolvido permeia diversas áreas do conhecimento, tornando-se impossível sua solução por profissionais de uma única área.
    A questão é que tenho visto, cada vez com mais frequencia, fisioterapeutas exercendo a função que é do professor de educação física, e não digo isso apenas em relação do pilates. E aí cai naquela comparação que fiz entre médico/dentista, arquiteto/engenheiro... Ter o pilates como uma das opções de tratamento em uma clínica de fisioterapia, não vejo problema. Ter um studio onde existem fisioterapeutas e professores de educação física trabalhando, desde que cada um exerça sua função, também.
    Já um fisioterapeuta ter um studio e exercer a função de professor, usando o pilates como modalidade de ginástica, com o objetivo de condicionamento físico, é exercer ilegalmente a profissão e quanto à isso não há discussão!
    Imagine o contrário? Imagine se eu resolver a abrir um studio para fazer reabilitação? O COFFITO permitiria? Não me falta capacidade para isso, mas não sou fisio e portanto não posso atuar como tal.
    A questão não está no meio, neste caso o método pilates, mas nos fins.

    Um abraço

    Denise

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  3. Oi Denise e Sílvia: Esta linha entre a sáude e a forma física é muito tênue. Também a linha de atuação de cada profissão assim o é. Quando fortalecemos e alongamos o corpo todo de forma harmônica, como o Pilates faz, podemos eliminar sintomas de dor agudos ou crônicos. Isso é tratamento? Sim e não. Os conselhos se perdem querendo controlar o que não tem como controlar. Um bom profissional de fisioterapia pode tratar através de um trabalho de organização corporal, que pode ser obtido através do ensino de movimento correto e isso pode ser chamado de aula ou de sessão ou de atendimento ou qualquer outra nomenclatura que criem. Um bom profissional de educação física, de dança ou de yoga, seja qual for o método que aplique, pode organizar o corpo de alguém que se move mal e como consequência resolver problemas como dores, má postura, má digestão, deficiências de sono, depressão....etc.... Saúde, estética, boa forma, bem estar.....todas caminham juntas e todos nós bons profissionais de ensino de Pilates somos capazes de facilitá-las para a população. O que muda é a indicação, o grau de risco do cliente/paciente. Um cliente que busca tratamento deve procurar um fisioterapeuta. O que busca a boa forma e a boa qualidade de vida vai em busca dos profissinais de ensino de movimento. Isso é o que acontece, isso é o natural. O bom senso deve ser o guia e isso não se fiscaliza. Se o fisioterapeuta se diz fisioterapeuta trabalhando com Pilates, o cliente o buscará quando estiver precisando de atendimento clínico. Ele pode ficar mais tempo com este profissional, no pós tratamento, fazendo a pós-reabilitação e isso em nada prejudica outros profissionais. Se os educador físico ou o professor de dança ou de yoga se divulga como tal, aplicando o Pilates para a qualidade de vida, a boa forma, a boa postura, alingamento, fortalecimentp, etc...etc..., em suma a saúde geral dos corpos que possuímos, o cliente vai procurá-lo quando não precisar de atendimento clínico. Isso é a população que define e a manutenção do cliente ou a procura pelo mesmo, é resultado de um bom trabalho. Precisamos focar nisso. Por isso criamos a ABRAPI, uma associação de instrutores de Pilates, maduros, experientes, com formações das mais diversas existentes no país, criando parâmetros e orientando a população no sentido de compreender o que é Pilates e como e por quem pode ser aplicado. Estamos construindo estes parâmetros junto com a classe de Pilates. Profissionais que não conhecem Pilates profundamente, não podem entender esta interdisciplinaridade. Pilates não é igual ao resto das técnicas e métodos que a nossa sociedade ocidental conhece. Pilates não é passivo, é movimento e pode através do mesmo, "tratar" tantos elementos de todos os corpos que possuímos. Na interdisciplinaridade teremos o suporte que necessitamos e atenderemos a população de forma mais competente e mais completa. Precisamos gastar nossa energia elevando o nível do Pilates que é praticado no país e não tentando impedir pessoas de trabalharem com competência. Eu gostaria que os conselhos utilizassem as contribuições que faço, de forma mais útil e mais respeitosa, para com os profissionais e a população, fiscalizando por exemplo insituições que não possume profissionais formados e sim estagiários inexperientes conduzindo os procedimentos/aulas,etc....

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  4. Respondendo para a Alice

    Oi Alice!

    Tudo o que você colocou é muito pertinente. Com certeza os conselhos deveriam se preocupar, prioritariamente, como profissionais não graduados e estagiários exercendo a função de profissionais, seja em qual atividade for. Neste ponto erram feio no foco da fiscalização.
    Em um segundo momento, estão certos. A lei está posta, e o que vale é o que está escrito, se está mal colocado, se foi mal pensada, se não serve à sociedade é uma outra questão. Se estamos insatisfeitos, cabe então à nós "comunidade do pilates" nos organizarmos, através de associações, como por exemplo a ABRAPI, que você citou, para propor mudanças na lei.
    Se não houver mobilização, continuaremos discutindo a questão na internet e os conselhos continuarão autuando os profissionais que, pela lei vigente, estão exercendo ilegalmente a profissão.

    Um abraço

    Denise

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